quarta-feira, julho 22, 2015

Baixando níveis - Rafael Carneiro Vasques

No começo da década de 1990, eu e meu irmão começamos a vender RPG em Poços de Caldas, na loja de nossa mãe.
Um jogo completamente diferente e desconhecido. Na época, a internet não existia na cidade e o jeito foi fazer uma faixa e colocar na fachada da loja, além de colar um poster do GURPS Fantasy, publicado pela Devir Livraria.
Para ensinar a jogar, eu mestrava histórias todos os sábados, a partir das 14 horas, em um cômodo nos fundos da loja. Uma mesa e algumas cadeiras e horas de jogos.
TWERPS, GURPS, D&D, RPG: Aventuras Fantásticas, Desafio dos Bandeirantes, Tagmar e, por fim, Vampiro: a Máscara eram os jogos que eram utilizados.
As partidas de Vampiro ocorriam apenas à noite, quando a loja já estava fechada.
Alguns jogadores eram assíduos, enquanto que outros apareciam e desapareciam, gerando uma dificuldade muito grande em dar sequência às histórias.
Os jogadores mais presentes gostavam da ideia de ganhar pontos de experiência e subir de nível, mas os jogadores volantes não conseguiam manter um personagem, gerando certo desnível nas capacidades dos personagens.
Como narrador, utilizei um subterfúgio para manter certo equilíbrio: utilizava monstros que retiravam níveis quando acertavam os jogadores.
Lembro-me de um jogador que perdeu alguns níveis algumas vezes, por ser muito assíduo. Nunca parou de jogar nem reclamava da perda de níveis. Simplesmente pegava a borracha e arrumava a ficha.
Mestrar uma história exige, por vezes, que se busque o equilíbrio entre os personagens dos jogadores, para que todos possam participar.

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