segunda-feira, julho 13, 2015

RPG, escola e a igreja evangélica - Rafael Carneiro Vasques

Em 2003 e 2004, fui professor de História (quinta, sexta, sétima e oitava séries) na Escola Municipal Alvino Hosken de Oliveira (Poços de Caldas - Minas Gerais).
Como projeto alternativo, comecei a narrar uma aventura de GURPS: Império Romano para os alunos da quinta série, visto que a época é estudada nesta série e já existir um livro de RPG que facilita a utilização desta época na produção de jogos.
A participação era optativa e atraiu um número maior de garotas. Este dado, por si só, apresenta um elemento importante: o RPG é visto como uma atividade essencialmente masculina, mas o número maior de participantes era de garotas, que jogaram algumas partidas e se empolgaram com a história.
A vice-diretora, que jogava junto, reunia os jogadores e transcrevia as sessões de jogo, como prática redacional.
Durante as aulas sobre o Império Romano, os alunos participantes comentavam situações do livro didático, reconhecendo personagens e lugares.
Duas alunas (irmãs) que participavam das sessões eram evangélicas e, segundo elas, eram proibidas pela igreja de assistirem televisão. Um dia, depois das aulas, uma das irmãs disse: "Contei para minha tia que estamos jogando RPG". Neste momento lembrei da propaganda negativa envolvendo o RPG, sua suposta relação com crimes e o ataque feito por evangélicos contra o RPG. Pensei: "Lá vem problema". E perguntei: "O que ela disse?" e ela me respondeu: "Ela gostou e nos ajudará a escrever a história de nossas personagens".
Isso levou-me a refletir sobre como temos certos posicionamentos a respeito de um objeto que está ligado aos formadores de opinião. No caso específico, tenho certeza que as garotas e sua família analisaram o RPG pelo que ele é, não pelo que o pastor disse que é.


RPG, school and the evangelical church
In 2003 and 2004, I was a professor of History (fifth, sixth, seventh and eighth grade) at the Municipal School Alvino Hosken de Oliveira (Poços de Caldas - Minas Gerais).
As an alternative design, I began to narrate a GURPS adventure: the Roman Empire for the fifth graders, as the time is studied in this series and there was already a RPG book to facilitate the use of this era in the production of games.
Participation was optional and attracted a larger number of girls. This fact, in itself, presents an important element: the RPG is seen as an essentially male activity, but the largest number of participants were girls, who played some matches and were thrilled with the story.
The deputy director, who played together, met the players and transcribed the game sessions as editorial practice.
During the classes on the Roman Empire, the participating students were commenting situations of textbooks, recognizing characters and places.
Two students (sisters) who attended the sessions were evangelical and, according to them, they were banned by the church from watching television. One day after school, one of the sisters said: "I told my aunt that we are playing RPG". At this time I remembered the negative publicity surrounding the RPG, its alleged connection with crimes and the attack by evangelicals against RPG. I thought, "Here comes trouble". And I asked: "What did she say?" and she answered: "She liked it and she will help us to write the story of our characters".
This led me to reflect on how we have certain positions on an object that is linked to opinion makers. In the specific case, I'm sure the girls and their family analyzed the RPG for what it is, not for what the pastor said it.

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